terça-feira, 22 de abril de 2014

UMA ALMA, UMA VIDA

Sentindo-se fadigado, aquele era um dia como outro qualquer para Agenor, que novamente acordava cedo para mais um dia de trabalho. Sua idade não permitia muitas aventuras. Antes que o café ficasse pronto, lia rapidamente as principais matérias do jornal, já que naquela manhã decidiu dormir alguns minutos a mais. Seu vizinho, amigo de pescaria e de trabalho, já se aproximava do portão de sua casa, para como de costume lhe dar a carona para o trabalho.
                - Bom dia, diz o velho amigo, com um grande sorriso.
                Os dois companheiros, tomaram o café normalmente naquela manhã, o dia de trabalho na fábrica foi sem muitas surpresas. Agenor continuava com sua aparência cansada, enquanto o Sr. Tadeu sorria para todos os colegas.
                - Enfim, em casa, murmurou o velho homem.
                Logo, o motoboy buzinou em seu portão trazendo sua janta. Ficou indagado com o olhar daquele entregador, que a cada passo olhava para trás o observando. Disse boa noite ao rapaz, com o intuito de despistar aqueles olhares duvidosos.
                - É a primeira vez que vem este entregador, mas o restaurante é confiável, disse ele. Então deixou a preocupação passar.
               
                A campainha de sua casa toca pela segunda vez, com a comida ainda na mesa, preocupado, verifica no olho mágico da porta. Era Tadeu, o que lhe deixou bem aliviado. Tadeu era um amigo bem preocupado com a autoestima de Agenor, sempre que surgia uma oportunidade, o chamava para jantar com sua família, de pessoas humildes, que demonstravam muito carinho por este velho homem amargurado.
                - Olhe que grandes minhocas, disse Tadeu, sorrindo para Agenor, amanhã nossa pescaria será ótima.
                Agenor admirava a felicidade daquele amigo, sua nobreza e dedicação em sua amizade, porque não sou assim? Pensou rapidamente enquanto pegava o pote de terra.
                - Que belas minhocas, disse ele.

                Toda noite, com o velho abajur aceso, era que Agenor sofria com seu segredo, sem ajuda de ninguém, refletia sobre seu erro do passado e criava forças para pedir ajuda a alguém, mas sempre permitia que seu sentimento o aprisionasse.

                O sábado de pescaria foi bem produtivo, voltaram para casa com muitos peixes, limparam e fizeram o famoso assado na churrasqueira, que a esposa e filhos de Tadeu aguardavam ansiosamente sempre que eles retornavam de uma pescaria.

                Ainda naquela noite de domingo, sentou-se na varanda de sua casa para ler aos detalhes seu jornal. Havia algo que o chamava atenção, um rapaz de moto, passava por diversas vezes olhando para sua casa, já com seu estado de irritabilidade, pegou o telefone e acionou o serviço de polícia, contando o fato.
                Quando os policiais chegaram, identificaram pela placa da motocicleta não tratar-se de algum suspeito, o nome do proprietário da moto era LUCAS MARQUES.
                - Lucas Marques? Perguntou o velho ao policial, com aparência pálida e voz trêmula.
                O policial assustado com o estado do velho, perguntou se estava tudo bem, mas foi quando ele caiu em desmaio.
                A situação era assustadora, enquanto os policiais socorriam o homem, ele despertou dizendo que estava tudo bem, repetidamente, não permitindo que os policiais chamassem uma ambulância. Agradeceu, fechou a porta e entrou.
                - Lucas Marques, Lucas Marques, repetia sozinho o nome por diversas vezes. É certo que ele estava muito assustado, confuso e naquele momento questionou-se sobre seu grande segredo, jamais revelado.
                - Será agora? O que devo fazer?

                Sozinho, confuso, amedrontado, foi assim que passou sua noite em claro, suas emoções não permitiam que raciocinasse. A campainha tocou, seu amigo o chamava para ir ao trabalho, sem condições de fazer coisa alguma, justificou-se agradecendo, mas ficou em casa.  

                Uma decisão veio mais rápido do que imaginava, vou procurar por este rapaz, buscou pessoas no auxílio à lista telefônica, encontrou alguns nomes, mas não se tratavam da mesma pessoa, buscou ajuda no Departamento de trânsito, mas não informaram o endereço do proprietário da moto, por se tratar de sigilo, buscou por informações na vizinhança, mas nada.

Deixou muitas pessoas preocupadas, não se abriu com ninguém, tratando o assunto com total sigilo. O tempo passava, foram 7 dias de muita busca e silêncio, aquele rapaz não mais passara na rua de sua casa, as coisas ficavam mais difíceis.

                O telefone tocou, correu para atender, dizia alô insistentemente, mas ninguém respondia, tocou por muitas vezes naquele dia, porém o mesmo acontecia. Até que ainda naquela noite, uma voz disse: “alô”, pálido o homem disse alô e perguntava quem era, bo fundo uma resposta: “sou eu, a quem tanto você procura”, desesperado para ser correspondido em uma conversa, mas só pode escutar o bipe de desligado do telefone.

                Agenor, um homem que a 25 anos carregava uma culpa e a espera de um milagre,  sentia-se prestes de acabar com sua amargura e tristeza, sua oportunidade de tentar solucionar o erro do passado, tornava-se cada vez mais próximo a cada dia. Os dias foram passando, sua agonia era cada vez maior, até que passados 20 dias, em puro silêncio e expectativa, uma moto para na porta de sua casa, Tadeu observava da janela de sua casa todos os detalhes, mesmo em silêncio, ficava atento a qualquer imprevisto, observou o rapaz retirando o capacete e indo em direção a campainha, assustado, aguardou qualquer movimento diferente para que pudesse agir.

                Agenor, trêmulo e corajoso, foi até a porta e perguntando quem era, escutou um sussurro assustado que dizia:

                - Lucas Marques, sou eu, Lucas Marques. Agenor pode viver um filme em sua mente em questão de segundos, eram tantas lembranças, tantas emoções, pouco controlado em seus sentimentos, tocou no rosto daquele rapaz e só pode dizer:

                - Meu filho! É você meu filho?
                O rapaz, muito emocionado, abraçou Agenor e ali puderam passar muitos minutos de um abraço apertado.
                Aquele abraço refletia um intenso sentimento na vida dos dois, Agenor que vivera 25 anos a espera de um reencontro com seu filho, após de tê-lo deixado com uma família no interior.
                - Me perdoe, eram as palavras que soavam diversas vezes no ouvido do filho.
                Tão logo, a notícia se repercutiu por toda a vizinhança, Lucas pode fazer parte dos melhores dias de vida de seu pai, viveram momentos felizes, sem amargura, sem dias tristes, compartilhados de muitas histórias de vida e companhia de amigos, de fato, Lucas trouxe para os últimos 11 meses de vida de seu pai tudo o que de fato ele aguardou por 25 anos.

Matando a saudade!

Depois de muito tempo, eis me aqui novamente saborear o prazer de escrever!!


Costumo pensar que, a maior parte das obras de ficção, possuem um pequeno ou grande espaço dentro da realidade, pois o escritor escreve aquilo que está inserido dentro de seu espaço de vida e convivência, levando-o a uma imaginação dentro de conceitos vividos ou imaginários.


Confira a próxima postagem ...  boa leitura!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Velhos tempos

Estava aqui revendo este blog e me lembrando dos velhos tempos em que dedicava-me em escrever! As leituras eram tão constantes, incluindo o curso de escritor que executava!

É certo que a criatividade de escrever, bem como os sentimentos comunicativos não se foram, esvaziaram-se apenas a dedicação e a força de vontade em continuar!

Desta reflexão fica apenas uma lição: Não devemos nos esvaziar das coisas que nos fazem bem e nos instigam a compreender a felicidade dentro de nós!

A todos que acompanhavam, que estão inscritos para receber as atualizações deste blog, minha gratificação e agradecimentos por todo apoio que recebi enquanto vivi esta energia!

Abraços!

Wagner Augusto - Escritor


sábado, 11 de dezembro de 2010

Ontem recebi uma frase do meu irmão e aproveitei para refletir alguns pontos – assim gostaria de compartilhar a vocês.

“Para encher uma taça de vinho nobre é preciso esvaziá-la do pobre”

O mundo foi criado por Deus (de acordo com minha fé), e quando foi criado foi nos oferecido o que chamamos de vinho nobre. Fomos agraciados pelo amor que é a forma mais preciosa de entrega a nossa vida, recebemos (e de graça), tantas coisas que serviriam para preencher nossa vida, assim como a natureza, a água, a felicidade, as pessoas, e tudo aquilo que faz parte de nossa vida (como consta no livro de Gênesis).

Com o passar dos dias, dos anos, fomos depreciando as coisas, destruindo a confiança que foi depositada em nós e distanciando o vínculo de amor entre as criaturas (humanos). Com tudo isso, fomos adquirindo o que chamamos de vinho velho, ou vinho pobre. É por livre decisão, espontânea liberdade que esta taça pobre vai completando nossa vida, através das mentiras, do egoísmo, do egocentrismo deliberado, com a falta de amor próprio e tantos outros adjetivos. O mundo nos oferece de tudo, somos agraciados com algumas coisas e amaldiçoados em outras, porém possuímos o que chamo de ferramentas para lutar contra as alusões, somos contemplados com energias existente dentro de nós mesmos, cujas qualidades e determinações fazem parte do ser (indivíduo). Algumas pessoas ainda não se descobriram, não perceberam que quando fomos criados, também recebemos a inteligência e a força do coração para identificarmos o que pode ser bom e o que pode nos prejudicar de diversas formas. Sendo assim, nosso coração, que é a maior força (ligada a Deus), nos indica o melhor caminho e faz-se a perceber os tesouros que existem dentro de nós, as qualidades irreparáveis que podemos colocar em prática para modificar a história do mundo, e este mundo não digo relacionado a população mundial, mas o mundo que está a sua volta, o mundo repleto de pessoas, família, amigos, colegas de trabalho, este mundo pertence a você, e está em suas mãos a oportunidade de ser um vinho nobre, esvaziado do velho, do sujo.

Desejo a todos, que consigam se descobrir, que o novo, que a verdade e o amor verdadeiro sejam revelados individualmente, para que assim possamos viver a coletividade, e transformar o mundo eu vivemos e acima de tudo, encontramos a felicidade que transforma nosso interior e nos motiva a enfrentar obstáculos e diversidades.

domingo, 18 de julho de 2010

Nem imaginava

Deixa O Tempo
Fresno

Composição: Lucas Silveira, Rodrigo Tavares.

Eu não volto mais pra casa
Não há ninguém a me esperar
Eu não vou ver o sol nascer
Pois tranquei minhas janelas
Pra não deixar a luz entrar

Eu canto as notas mais erradas
De refrões que eu nem sei tocar
Tentei chegar até você
Mas você não ouviu nada
Chegou a hora de acordar

Então deixa que o tempo vai cicatrizar
Ele te trouxe até aqui
Mas pode te fazer mudar
Então deixa que o tempo vai gravar a tua voz em mim,
Para que eu possa te ouvir
Toda vez que eu precisar

Queria tanto estar em casa
(O teu silêncio não traz paz)
Vendo mentiras na televisão
(Ele só me aproxima mais)
Esperando alguém ligar
(Deixei meu rádio em qualquer estação)

Então deixa que o tempo vai cicatrizar
Ele te trouxe até aqui
Mas pode te fazer mudar
Então deixa que o tempo vai gravar a tua voz em mim,
Para que eu possa te ouvir
Toda vez que eu precisar

Deixa que o tempo vai . . .
Deixa que o tempo faz . . .

Então deixa que o tempo vai cicatrizar
Ele te trouxe até aqui
Mas pode te fazer mudar
(E você já mudou)

Deixa que o tempo vai
(Queria tanto estar em casa)
gravar a tua voz em mim,
Para que eu possa te ouvir
(Vendo mentiras na televisão)
Toda vez que eu precisar

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ser oculto

Eu poderia culpar sem dor alguma aquilo que o mundo me deu, deixar para trás as decepções, os moldes inevitáveis que muitos quiseram fazer de mim. Não eram simples e nem tão fáceis assim de se entender, o comportamento desumano e a capacidade de causar feridas não era pouco, eu vi um monte destes. Quando olho para este vicioso círculo de impiedades corruptíveis tento enxergar o outro lado deste que não sabe, além de maltratar a si mesmo, ser um pedaço de benignidade. Mas ao invés de eu, ser que clama e espera piedosamente, aguardar por uma revolução calorosa, tento cobrir com flores o mundo a minha volta e daqueles que em concomitância aos ideais benéficos sabem participar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ausência

Muitos dias sem uma publicação. Ausente mas nunca esquecido. Abraços

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO

Sempre que tentava iniciar um projeto, pensava nas necessidades que eu teria. Acontece que, precisava de subsídios para alcançar determinadas vontades, e é por isso que muitas vezes não conseguia concluí-los nem mesmo no papel, pois sabia que ainda faltava muita coisa para aprender e vivenciar. O tempo foi se passando e sempre me perguntava: o que é que falta? Não queria ser um número a mais daqueles que possuem projetos inacabáveis, abandonados com todo desprezo.

A comparação disto se dá em meu sonho de publicar um livro. Quando criança não tinha determinadas preocupações, bastava ter minha velha máquina de escrever, poucas folhas de papel e a imaginação. Hoje, tão diferente, exijo de mim muito mais, preciso ler para escrever, preciso conhecer a gramática, estar compenetrado na literatura, participar de cursos e oficinas literárias, e mesmo assim acabo no mesmo erro, onde enfim aumentam as exigências.

O escritor para escrever um bom texto, precisa conhecer a si mesmo, esta é uma das maiores técnicas, escrever com identidade, conhecer o assunto e vivê-lo no momento da imaginação. Muito mais é ver o mundo de um jeito diferente, enquadrando-o nas palavras escritas, deixando-se ser transbordado por uma força interior, dos sentimentos, das emoções que vivemos através das pessoas. É assim que me sinto quando vou escrever, quando reflito as palavras em meus sonhos, projeto um futuro repleto de realizações. Tento enquadrar cada texto em cada história vivida, porque sei que é através de minha sinceridade que ganharei força para aproximar-me dos objetivos.

É bem provável que uma situação ou outra me leve a ficar desanimado, e fazer pensar que nada conseguirei. Para não deixar espaços para o enfraquecimento, é preciso sempre recordar dos primeiros sonhos, de meu rito de iniciação, como menciona o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, de quando encontrei nas palavras a lealdade, guardar nas lembranças as primeiras experiências, assim como o casal não se esquece do primeiro beijo.
Hoje tenho a sensação de viver situações distintas, sentir que a realização de meu sonho ganha maior distância e em momentos parecer estar bem próximo. Explico isso pelo fato de ganhar mais experiência e ficar mais exigente. Quando identifico minhas necessidades, não deixo com que elas tomem maior proporção, procuro então novas alternativas, sabendo que a cada dia haverá maior dimensão em meu projeto, o que me faz ter a sensação de querer abandonar tantas coisas e dedicar-me totalmente a esta realização. Viver a intensidade de todas as dificuldades e encontrar o sucesso será como redescobrir a vida dentro de mim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A ESPERA DE UM SINAL

Foi na semana passada quando decidi escrever uma carta. Fui tomado de uma ansiedade incontrolável, a única coisa que queria fazer era escrever para ela. Fui deixado há exatamente 3 semanas e dois dias, não consigo acreditar o porquê ela me trocou por outro. Se começo a pensar parece que vou morrer de dor de cabeça, sobe um calor, uma energia ruim e penso em correr, é quando decido por não pensar. Mas se decidir assim fosse o suficiente acho que eu a esqueceria, mas não consigo me controlar. Fico pensando em minhas qualidades, sou romântico, dava flores, cartas de amor, a levava para jantar, visitar os amigos e parentes, mas será que tudo isso a satisfazia? Penso, o que ele fez que eu não fiz. Perguntar a ela onde foi que eu errei acredito ser muito tarde, já me deixou mesmo. Três anos de namoro, foi o suficiente para saber se gostava de mim, porque não disse antes. Lembro-me de quando completamos 1 ano de namoro, a levei para jantar em um restaurante de luxo, fiz as reservas com 2 dias de antecedência, ela se encantou com meu ato de romantismo, foi quando depois de alguns minutos do jantar disse pela primeira vez que me amava, e ainda me fez prometer que nunca a deixaria. Inocente de mim que acreditei. Porque então escrever esta carta. Aposto que uma hora desta, um domingo de sol, esteja aproveitando com o namorado novo, na BMW preta, bancos de couro, mas é bem provável, pois sempre foi um pouco interesseira. Como poderia começar a escrever? Talvez seja melhor copiar um verso de um livro do que escancarar meu coração, ela nem merece toda esta dedicação. Nunca recebi uma carta dela, nem mesmo um e-mail dizendo palavras bonitas. As únicas vezes que me presenteava eram em comemorações como aniversário, Natal e aniversário de namoro, me dava um presente com um daqueles cartões com mensagens prontas, ao final assinava o nome e eu te amo, acho que é porque era vazia em palavras.Dou uma volta e acho melhor não escrever. Meu coração está acelerado, sou muito ansioso e daqui a pouco estarei caindo em lágrimas. Tenho muita saudade, queria ela perto de mim novamente. Eu seria capaz de perdoar tudo e recomeçar, mas não é isso que ela pensa. Passados alguns minutos, o telefone toca, queria que houvesse telepatia e que a ligação fosse dela, mas era a chata de minha chefe. Sinto uma lágrima caindo, talvez por decepção em não ouvir a voz dela, acho que estou sendo tomado pela saudade.Coloco o CD que me deu quando fomos para o Chile, foi uma viagem maravilhosa, foram as melhores férias que já tive. Puxa vida, porque ela não está mais comigo.Amor, estou pensando em você, não consigo suportar a dor de sua perda, queria te ligar, ouvir sua voz, mas você pediu que eu não ligasse, vou respeitar.Não, é melhor não escrever desta forma, assim ela me achará um bobo caidinho por ela, vai comentar com as amigas, dizendo, olha ele não sai mais do meu pé, está implorando de joelhos para eu voltar. E nem venha me dizer que ela não fará isso, eu a conheço muito bem.Questiono-me, porque é que me apaixonei por ela? Sabia que seria um romance perigoso, ela acabava de sair de um relacionamento com um homem mais velho e mais experiente do que eu. É preciso obedecer às regras da vida, assim dizem os mais velhos, vá com calma, conheça bem a pessoa, não aja com ansiedade. Eu errei fazer o que agora. Lembro-me de quando fizemos 2 meses de namoro eu a levei em uma relojoaria e dei-lhe uma aliança de compromisso e um colar de ouro. Foi uma forma romântica de dizer o quanto a queria perto de mim, mas objetos não compram o amor. Espero que da próxima vez, lógico se houver, eu a leve para jantar em uma lanchonete do centro da cidade, dê uma aliança simples e uma viagem para um hotel fazenda do interior. Quem sabe, mudando as regras tudo de certo, é o que todos dizem. Já me imagino, sendo igual aqueles caras grosseiros, que acham que ser romântico é coisa de gay. Se assim for, serei considerado um, porque mesmo que eu me esforce não conseguiria agir igual a eles. Sinto que estou decepcionado, queria mesmo um abraço, minha garganta dói de tanto que choro. Mais uma vez, pego o rascunho da carta, risco tudo, desta vez o meu sentimento se transformou. Eu queria escancarar nas palavras, dizer o quanto me decepciono com suas atitudes, que perdi longos 3 anos me dedicando a ela. Dúvida cruel, que martela meu coração e me faz sofrer. Amanhã estarei desagradável de tanto chorar, todos irão me perguntar, porque este rosto tão inchado, porque esta cara de triste? Eu não suportarei tantas perguntas. Quero fugir, e fazer de tudo para esquecer esta história entediante. Como se assim fosse resolver meu problema. Então, vou para um bar, encher a cara, sair trançando as pernas e jogar meu carro na primeira esquina. Também não será a solução. Estou perdido, e não consigo pensar em mais nada. Minha sorte foi quando a campainha de casa tocou. Era uma amiga que conheci por intermédio de minha ex-namorada. Abri a porta foi o suficiente para nos abraçarmos. Trouxe-lhe uma notícia, ela me disse. Fitei-a nos olhos, com ar de esperança, esperei que me dissesse algo sobre minha amada. Meus olhos encheram-se de alegria, meu coração palpitava a modo que minha camiseta pulava no peito, pois o pedido de me ver podia ser o caminho de uma nova história. Ansioso, corri ao seu encontro e não podia pensar em mais nada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

SEU COMO O COLIBRI

Algumas semanas atrás lendo o livro Nada dura para sempre, de Sidney Sheldon, pude viver em algumas páginas aquilo que chamo de comunicação intelectual. O autor, em sua história, envolveu um romance que muito me chamou a atenção. Eu, que sou um romântico usual, tinha a sensação de querer entrar nas páginas daquele livro e intervir nas decisões da personagem, que vivendo um romance perigoso, foi morta pela pessoa que amou. Ao final da história, gozei de uma sensação ambígua, sem nunca tê-la sentido, pelo puro prazer da leitura, que me fez envolvente em cada página e pela fragilidade da personagem que se deixou ser levada por um ser tão controverso. Eu queria modificar aquelas linhas, parecia ter me tornado íntimo da personagem e queria ela viva, queria protegê-la das situações perigosas, ela já havia se tornado alguém próxima, como alguém da família.Quando terminava de ler algumas páginas da história, já tomado de um envolvimento total, tinha em minha mente uma continuação ideal para os meus textos, ali, envolvido e com o desejo que tornar a vida daquela personagem mais feliz, tinha que me fidelizar, colocando no papel minhas idéias e meus sentimentos. Assim, aflorado de idéias, tornava meus escritos mais emocionantes e perceptivos à história desfrutada.Ao passar dos dias, sentindo-me ainda transbordado com a história lida, sabia que a indignação daqueles fatos precisavam ser diferente, primeiramente em mim. Era notório que os meus sentimentos estavam aflorados e meu único desejo era fazer uma história nova. Foi quando, coincidentemente conheci uma moça, era linda, tinha características muito parecidas da personagem do livro, como se em minha mente tivesse criado uma fantasia, aos poucos ela se tornava real. Comecei a dispor de um carinho encantador, uma atenção indispensável, e um único diferencial, usava destas atitudes para encantar positivamente, diferente do personagem que usou de táticas sedutoras para deixar a personagem dominada ao seu jogo.Ao modo que leio um livro, sou conduzido a vivenciá-lo. É óbvio que as emoções de uma história são como uma vida encaixada em letras impressas de um papel. Ler com o coração escancarado e com atenção é o mesmo que equiparar a história em minha própria vida, absorvendo os fatores positivos e negativos. Imaginar a história de um jeito novo, diferente de como o autor a escreveu, pois certamente ao ditá-la, imaginava o personagem de um jeito particular, as roupas com suas cores prediletas, os ambientes com a decoração talvez pouco diferente de seu lar. Desta forma, imagino os personagens em uma percepção oposta do resto dos leitores que também possuem seus interesses.Quando paro para refletir sobre um livro lido, tento imaginar a vida do escritor, os fatores que o levaram a prescrever suas histórias e a tornarem real para si e todos os outros leitores. Assim como eu, quando me derreto em palavras e absorvido pelas minhas próprias emoções, arrisco as palavras formando histórias, e quando terminado de escrever, ponho-me a pensar, de onde saiu todo o conteúdo, correlaciono em minha vida, tento entender os fatores, minha emoções, e assim compreendo minha imaginação. Quando peço para alguém ler e opinar o texto que escrevi, constato ainda mais as minhas interpretações, pois o que escuto é sempre uma pergunta, você escreveu de você mesmo?Por isso, ler é eu viver um mundo só meu, da forma e do tamanho que eu quiser não podendo qualquer pessoa tomar meus sentimentos e esvaziá-los. Além disso, ler é eu viver a vida do outro, sentir com sentimentos alheios, canalizar as energias e cultivado de uma alegria imensa, apoderar-me de um todo, unindo-me a vida do outro por sua história escrita e que pude transbordar-me.Quando leio, adquiro a experiência do outro, torno os sentidos daquele que fala e exerce seus direitos e sentimento. Deixo-me ser apoderado aos textos que pouco a pouco se relacionam em minha vida, tornando-me parte da história e interlocutor.