Sempre que tentava iniciar um projeto, pensava nas necessidades que eu teria. Acontece que, precisava de subsídios para alcançar determinadas vontades, e é por isso que muitas vezes não conseguia concluí-los nem mesmo no papel, pois sabia que ainda faltava muita coisa para aprender e vivenciar. O tempo foi se passando e sempre me perguntava: o que é que falta? Não queria ser um número a mais daqueles que possuem projetos inacabáveis, abandonados com todo desprezo.
A comparação disto se dá em meu sonho de publicar um livro. Quando criança não tinha determinadas preocupações, bastava ter minha velha máquina de escrever, poucas folhas de papel e a imaginação. Hoje, tão diferente, exijo de mim muito mais, preciso ler para escrever, preciso conhecer a gramática, estar compenetrado na literatura, participar de cursos e oficinas literárias, e mesmo assim acabo no mesmo erro, onde enfim aumentam as exigências.
O escritor para escrever um bom texto, precisa conhecer a si mesmo, esta é uma das maiores técnicas, escrever com identidade, conhecer o assunto e vivê-lo no momento da imaginação. Muito mais é ver o mundo de um jeito diferente, enquadrando-o nas palavras escritas, deixando-se ser transbordado por uma força interior, dos sentimentos, das emoções que vivemos através das pessoas. É assim que me sinto quando vou escrever, quando reflito as palavras em meus sonhos, projeto um futuro repleto de realizações. Tento enquadrar cada texto em cada história vivida, porque sei que é através de minha sinceridade que ganharei força para aproximar-me dos objetivos.
É bem provável que uma situação ou outra me leve a ficar desanimado, e fazer pensar que nada conseguirei. Para não deixar espaços para o enfraquecimento, é preciso sempre recordar dos primeiros sonhos, de meu rito de iniciação, como menciona o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, de quando encontrei nas palavras a lealdade, guardar nas lembranças as primeiras experiências, assim como o casal não se esquece do primeiro beijo.
Hoje tenho a sensação de viver situações distintas, sentir que a realização de meu sonho ganha maior distância e em momentos parecer estar bem próximo. Explico isso pelo fato de ganhar mais experiência e ficar mais exigente. Quando identifico minhas necessidades, não deixo com que elas tomem maior proporção, procuro então novas alternativas, sabendo que a cada dia haverá maior dimensão em meu projeto, o que me faz ter a sensação de querer abandonar tantas coisas e dedicar-me totalmente a esta realização. Viver a intensidade de todas as dificuldades e encontrar o sucesso será como redescobrir a vida dentro de mim.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A ESPERA DE UM SINAL
Foi na semana passada quando decidi escrever uma carta. Fui tomado de uma ansiedade incontrolável, a única coisa que queria fazer era escrever para ela. Fui deixado há exatamente 3 semanas e dois dias, não consigo acreditar o porquê ela me trocou por outro. Se começo a pensar parece que vou morrer de dor de cabeça, sobe um calor, uma energia ruim e penso em correr, é quando decido por não pensar. Mas se decidir assim fosse o suficiente acho que eu a esqueceria, mas não consigo me controlar. Fico pensando em minhas qualidades, sou romântico, dava flores, cartas de amor, a levava para jantar, visitar os amigos e parentes, mas será que tudo isso a satisfazia? Penso, o que ele fez que eu não fiz. Perguntar a ela onde foi que eu errei acredito ser muito tarde, já me deixou mesmo. Três anos de namoro, foi o suficiente para saber se gostava de mim, porque não disse antes. Lembro-me de quando completamos 1 ano de namoro, a levei para jantar em um restaurante de luxo, fiz as reservas com 2 dias de antecedência, ela se encantou com meu ato de romantismo, foi quando depois de alguns minutos do jantar disse pela primeira vez que me amava, e ainda me fez prometer que nunca a deixaria. Inocente de mim que acreditei. Porque então escrever esta carta. Aposto que uma hora desta, um domingo de sol, esteja aproveitando com o namorado novo, na BMW preta, bancos de couro, mas é bem provável, pois sempre foi um pouco interesseira. Como poderia começar a escrever? Talvez seja melhor copiar um verso de um livro do que escancarar meu coração, ela nem merece toda esta dedicação. Nunca recebi uma carta dela, nem mesmo um e-mail dizendo palavras bonitas. As únicas vezes que me presenteava eram em comemorações como aniversário, Natal e aniversário de namoro, me dava um presente com um daqueles cartões com mensagens prontas, ao final assinava o nome e eu te amo, acho que é porque era vazia em palavras.Dou uma volta e acho melhor não escrever. Meu coração está acelerado, sou muito ansioso e daqui a pouco estarei caindo em lágrimas. Tenho muita saudade, queria ela perto de mim novamente. Eu seria capaz de perdoar tudo e recomeçar, mas não é isso que ela pensa. Passados alguns minutos, o telefone toca, queria que houvesse telepatia e que a ligação fosse dela, mas era a chata de minha chefe. Sinto uma lágrima caindo, talvez por decepção em não ouvir a voz dela, acho que estou sendo tomado pela saudade.Coloco o CD que me deu quando fomos para o Chile, foi uma viagem maravilhosa, foram as melhores férias que já tive. Puxa vida, porque ela não está mais comigo.Amor, estou pensando em você, não consigo suportar a dor de sua perda, queria te ligar, ouvir sua voz, mas você pediu que eu não ligasse, vou respeitar.Não, é melhor não escrever desta forma, assim ela me achará um bobo caidinho por ela, vai comentar com as amigas, dizendo, olha ele não sai mais do meu pé, está implorando de joelhos para eu voltar. E nem venha me dizer que ela não fará isso, eu a conheço muito bem.Questiono-me, porque é que me apaixonei por ela? Sabia que seria um romance perigoso, ela acabava de sair de um relacionamento com um homem mais velho e mais experiente do que eu. É preciso obedecer às regras da vida, assim dizem os mais velhos, vá com calma, conheça bem a pessoa, não aja com ansiedade. Eu errei fazer o que agora. Lembro-me de quando fizemos 2 meses de namoro eu a levei em uma relojoaria e dei-lhe uma aliança de compromisso e um colar de ouro. Foi uma forma romântica de dizer o quanto a queria perto de mim, mas objetos não compram o amor. Espero que da próxima vez, lógico se houver, eu a leve para jantar em uma lanchonete do centro da cidade, dê uma aliança simples e uma viagem para um hotel fazenda do interior. Quem sabe, mudando as regras tudo de certo, é o que todos dizem. Já me imagino, sendo igual aqueles caras grosseiros, que acham que ser romântico é coisa de gay. Se assim for, serei considerado um, porque mesmo que eu me esforce não conseguiria agir igual a eles. Sinto que estou decepcionado, queria mesmo um abraço, minha garganta dói de tanto que choro. Mais uma vez, pego o rascunho da carta, risco tudo, desta vez o meu sentimento se transformou. Eu queria escancarar nas palavras, dizer o quanto me decepciono com suas atitudes, que perdi longos 3 anos me dedicando a ela. Dúvida cruel, que martela meu coração e me faz sofrer. Amanhã estarei desagradável de tanto chorar, todos irão me perguntar, porque este rosto tão inchado, porque esta cara de triste? Eu não suportarei tantas perguntas. Quero fugir, e fazer de tudo para esquecer esta história entediante. Como se assim fosse resolver meu problema. Então, vou para um bar, encher a cara, sair trançando as pernas e jogar meu carro na primeira esquina. Também não será a solução. Estou perdido, e não consigo pensar em mais nada. Minha sorte foi quando a campainha de casa tocou. Era uma amiga que conheci por intermédio de minha ex-namorada. Abri a porta foi o suficiente para nos abraçarmos. Trouxe-lhe uma notícia, ela me disse. Fitei-a nos olhos, com ar de esperança, esperei que me dissesse algo sobre minha amada. Meus olhos encheram-se de alegria, meu coração palpitava a modo que minha camiseta pulava no peito, pois o pedido de me ver podia ser o caminho de uma nova história. Ansioso, corri ao seu encontro e não podia pensar em mais nada.
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