segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Contratempos

Estava no portão de minha casa, por volta de umas oito horas, era uma noite pouco escura, não apareciam às estrelas no céu, provavelmente formavam-se nuvens de chuva. Um pouco distraído, quando de repente vi um carro se aproximando de minha casa. Era um carro mal tratado, não conseguia enxergar a fumaça preta, mas sabia que ela existia, devido o mau cheiro. No volante daquele Ford velho, havia um homem com uma aparência assustadora. Cabelos grisalhos, com barba por fazer, um rosto marcado de cicatrizes. Parecia estar perdido, olhava aos lados, mas mesmo assim me preveni fechando logo o portão. Quando comecei a me distanciar indo em direção a porta mais próxima de mim, senti muito medo ao ouvir a voz daquele homem, meu corpo se paralisou, fiquei trêmulo e não conseguia pensar em mais nada, a não ser gritar por ajuda. Ainda calado, abrindo a porta, ele disse espere, eu não queria nem saber o que o homem tinha a falar, só sabia sentir medo. Colocou sua mão na cintura, pensei que estava sacando uma arma. Pare, ele disse, com uma voz grossa e ríspida. Corri o mais depressa que pude, tranquei a porta e muito nervoso peguei o telefone para ligar no serviço de emergência. Alô, disse a atendente, inadequadamente. Eu não tinha palavras, minha voz travou e nada conseguia fazer. Dei alguns passos até meu quarto e tentei me acalmar. No Telefone eu escutava a atendente dizendo alô repetidamente, até que o sinal de desligado se fez. Imaginei que pudessem identificar o número do meu telefone e descobrirem meu endereço, então logo estariam ali.

O portão de minha casa era fortemente sacudido, como se aquele homem estivesse nervoso querendo derrubá-lo. Lembrei-me de uma história que minha mãe contou antes de falecer.

Quando grávida de meu irmão, seu filho primogênito, estava voltando da mercearia quando foi abordada por um homem, com as características muito parecidas deste na porta de casa. Ficou tão extasiada que desmaiou rapidamente. Acordou somente no hospital, onde recebia os primeiros socorros. Mamãe era uma pessoa muito nervosa, não diferente de mim.

Fiquei pensando que pudesse acontecer o mesmo comigo, então eu não conseguiria nem mesmo me defender daquele assassino, assim era como eu pensava a respeito deste homem. Escutei sirenes se aproximando e fiquei logo aliviado. Em seguida escutei umas arrancadas de pneu, mais aliviado imaginei que estava fugindo do portão de minha casa.

Alguns minutos se passaram e nenhum carro de polícia parou. Fiquei vigiando pela janela do quarto de minha irmã, que proporcionava uma visão maior da rua. Mais calmo, peguei o telefone e redisquei a polícia. 190 emergência atendeu a telefonista novamente. Expliquei o caso a ela, disse que enviaria uma viatura para verificar o local. Outros longos minutos se passaram e nada aconteceu, liguei novamente e continuei no aguardo.

Revoltado com a segurança deste país pensei, que mal fiz para ser tratado com tanta omissão. E se realmente fosse um assassino, hora essa eu já estaria morto. Neste país, é necessário ter um nome muito conhecido para ganhar atenção merecida. Wagner Augusto, deve ter pensado a atendente, o que ele quer que façamos? Quem ele pensa que é para merecer prioridades. Wagner é meu nome de batismo, o nome que recebi de minha mãe, pensei comigo. A atendente, que não demonstrou solicitude, deve neste momento estar desenhando nas palavras de meu nome, escritas em seu bloco de notas, e repetindo, Wagner, com W ou com V, tanto faz, não temos pessoal para atendê-lo mesmo.

Sou pagador de impostos, e daí? É assim que pensam, e assim que agem. Porque é que não melhoram o sistema de segurança deste país? Minha vida tem de ser zelada, ou logo terão na página do jornal, Wagner Augusto, jovem de 26 anos é morto em sua casa por não receber atendimento policial em tempo hábil. E mesmo assim, pouco se importam, porque o sistema judiciário arquivaria meu caso em poucas semanas, onde nestes arquivos deveriam constar muitos nomes iguais ao meu, com W, com V, então acrescentariam o meu nome, com W, e com G mudo, pois existem pessoas que ignoram o G mudo escrevendo Waguiner.

Depois de 58 minutos, precisamente contados, escuto alguém chamando no portão de casa. Senti medo, mas decidi olhar pela janela. Era um homem alto, negro, cabelo volumoso, tinha na mão direita uma arma. O policial chamou novamente, desta vez pelo meu nome, Wagner. Senti-me seguro e o atendi pela porta da frente, deixei-o entrar para olhar no resto da casa. Após verificar a área, começou a escrever a ocorrência, fez algumas perguntas pertinentes, deu-me orientações caso houvesse reincidência. Balancei a cabeça concordando com o que disse. Deu-me a ocorrência para assinar, certificando de sua presença e suas orientações, lá estava um nome, que não era o meu, Vaguiner. Dei as costas e entrei.

Autor: Wagner Augusto dos Santos
Criação: 07 set 2009

6 comentários:

  1. Nossa amigo q tragico... mais essa é a realidade crua e nua de nossos irmaos ñ de nosso pais belo por natureza q é tão maltratado por todos...
    abs

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  2. ola meu amado amigo e "escritor". Olha, minha opinião seria muito técnica para um comentário breve, no entanto, posso dizer que a história é criativa e a narração em primeira pessoa ficou bem evidente. Não sei se esse é o texto original ou apenas fragmentos de um todo. Se for um todo, necessita de correções técnicas, se for fragmentos utilize a ferramenta (...).
    Mais em fim, bom!
    Grande abraço do seu amigo Elioenai.

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  3. Muito bom!!!!
    Desse jeito não vou somente ler jornais e vou começar a montar uma coletânea de seus livros.

    Parabéns. Giuliano

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  4. Achei bem interessante o texto.

    Percebi vários pontos de vista, porém o que mais chamou minha atenção, foi a variação entre o suspense e a critica social (ate mesmo porque se analisarmos, ambos podem ser considerados sinônimos, do jeito que as coisas estão...rsrs), o que prende a atenção do leitor, e no meu ponto de vista, isto é mais do que essencial e fundamental para um bom escritor, entreter que irá ler suas histórias.
    Realmente você leva jeito para coisa....Se em 5 minutos fez um texto tão inteligente, imagina se tivesse mais tempo? Não desista!
    Saiba que torço de coração para seu sucesso.

    Parabéns! Elaine Gomes

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  5. Wagner...

    Parabéns! por sua bela composição, inclui intensidade, argumentos, realidade e reação... Belo contexto, continue assim, pra melhor pois você fará sucesso.

    Grande abraço,
    William Wister
    w.wister@hotmail.com

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  6. Wa,

    Pode avaliar vários pontos, suspense e a critica social entre outros.... Um testo muito bom de se ler...Consegui prender o leitor do comerço ao fim... Olha e modesta parte não gosto de ler muito, leio somente textos que me prendam e este me prendeu do inicio ao fim... Muito bom....

    Você esta de Parabéns!!!!

    Carlinhos Lucena

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